DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO ADORNO & HORKHEIMER
INTRODUÇÃO
A Escola de
Frankfurt –
Esta Escola, que era verdadeiramente um movimento social, surgiu na Alemanha
entre 1923-24, e teve como principais pensadores Max Horkheimer, Theodor W. Adorno,
Herbert Marcuse, Walter Benjamim, Erich Fromm e Jürgen Habernas.
A Escola de Frankfurt surgiu em meio a
muita agitação política e econômica pela Alemanha. Seus membros observaram estupefados das grandes transformações e
mudanças da Europa durante a Primeira Guerra Mundial.
Os teóricos
frankfurnianos se expressaram de maneiras diversas, a fim de demonstrarem a
desilusão com respeito às transformações que o mundo contemporâneo passava. Adorno
e Horkheimer, juntamente com Benjamim e Marcuse, não se satisfizeram com as
análises que procuravam compreender a vitória do nazismo e a derrota das
esperanças revolucionárias.
A partir de
1931, Horkheimer passa a ocupar a função de diretor do Instituto, que se
associava à Universidade de Frankfurt. Agora a hegemonia passava da esfera da
economia para a da filosofia. Notadamente agora os discursos sobre política e sociologia,
eram calçados em Platão, Kant, Hegel, Marx, Schopenhauer, Bergson, Heidegger e
outros pensadores. A partir daí fora elaborada a Teoria Crítica (Parte da idéia
de uma sociedade melhor, esta teoria se comportava de maneira crítica em
relação à sociedade, como em relação à ciência) em oposição a Teoria Tradicional,
típica da filosofia de Descartes.
“A
ascensão do nazismo, a Segunda Guerra, o “milagre econômico no pós-guerra e o
stalinismo foram os fatores que Marcaram a Teoria Crítica da Sociedade, tal
como esta se desenvolveu dos anos 20 até meados dos anos 70.”. (Matos,Olgaria,
A Escola de Frankfurt,p.6)
Todos
estes pensadores viam em Marx uma inspiração, mas, adotam uma atitude crítica
sobre seu pensamento, enriquecendo-a com outras teorias, de campos diversos,
como o da economia, sociologia, psicologia, dando assim o início do socialismo.
O que tornou a Escola conhecida e importante foi sua posição, invocando um novo
paradigma, representado pela fusão do materialismo histórico com a psicanálise,
que terminou sendo apresentada como Teoria Crítica. Tal manifesto foi
apresentado por Horkheimer, que tinha como meta principal construir um saber
racional que denunciasse o irracional que existe na história e na sociedade. Em 1934, Horkheimer, criticando a postura do
positivismo, o qual considerava prisioneiro de seus próprios métodos, impondo
desta maneira, um procedimento não social às ciências sociais, escreveu:
“O valor de uma teoria depende de sua relação
com a práxis”. conseqüência sócio-política dessa afirmação é que uma teoria
social coerente deve estar ligada às forças de transformação revolucionária
existentes na sociedade. A Racionalidade
da dominação na natureza para fins lucrativos, colocando a ciência e a técnica a serviço do capital, a “ditadura
da produção”.(Matos,Olgaria, A Escola de Frankfurt,p.8)
O
pensador Horkheimer critica tanto o Idealismo quanto o materialismo, ambos os
grupos distorcem a realidade para sustentar suas teses e beneficiarem um grupo
pequeno. Para ele, a Teoria crítica, busca recuperar o autoconhecimento da
humanidade, não rompe com o Marxismo, mas antes o enriquece, inspirando em seus
métodos e ferramentas, porém sua leitura não é tradicional. Sua defesa é que
tal teoria deva aperfeiçoar o entendimento humano. Mas sendo ela autocrítica
deve combinar o pensamento prático com o normativo, a fim de explicar e
identificar os erros da realidade social. A teoria crítica tem como objetivo
alertar o ser humano das circunstâncias que o envolvem na atual realidade e
esclarecer e mostrar o que os escravizam.
RAZÃO
INSTRUMENTAL - Denomina-se razão instrumental, o maneira imprópria que a
sociedade industrial moderna entende a razão, tal base é conhecida como Teoria
Tradicional. A formalização,
instrumentalização, coisificação da razão constituem o tema central e
recorrente no pensamento de Adorno e Horkheimer, este, recorre fundamentalmente à
história da filosofia para discutir o processo de subjetivação, formalização,
instrumentalização da razão. Na Dialética do esclarecimento,
os autores, valendo-se especialmente do mito, traçam a trajetória da razão na
história, incluindo o passado pré-histórico, evidenciando a tensão permanente
entre mito e razão.
O MARXISMO - Considerando algumas
características da política de Marx no pensamento dos teóricos de Frankfurt,
temos que o sistema capitalista consiste na produção de mercadorias,onde o
operário, para sobreviver, vende ao então capitalista, a única mercadoria que possui,
que é a sua capacidade de trabalhar. Mas seu trabalho é bem semelhante com o
trabalho escravo, com a diferença que ele tem um salário, embora a força de seu
trabalho produza a mais, e este valor excedente[1] vai para o bolso dos
capitalistas e não dele. A perda desta parte, acarreta no operário danos em sua
vontade e consciência, devido ao ritmo acelerado de trabalho e ao esforço
repetitivo. Sendo que as condições de trabalho tornam este operário um
alienado, que não mais reconhece nem o que produz, e se torna objeto nas mãos
do capitalista, pois entra em estado de torpor e fetiche(feitiço-adoração) pela
mercadoria que produz,tornando-se duplamente enganado. Pois encantado com os
artefatos de consumo, consome-o desenfreadamente, devolvendo assim, mais uma boa
parte do salário ao empregador.
A INDÚSTRIA
CULTURAL - O ESCLARECIMENTO COMO MISTIFICAÇÃO DAS MASSAS - Para estudar a influência
e o papel da massa , assim como o papel do consumidor, todo teórico deve
inseri-lo no contexto social em que esta atuando. Por isso o ponto de partida
de uma teoria crítica, deve ser sempre a análise da economia de mercado.
Toda cultura
produzida para a população geral e veiculada pelos meios de comunicação, recebe
o nome de Cultura de massa. Tal Industria é sempre passiva, não age
racionalmente, mas se aliena de entusiasmos e idéias sazonais. As inserções na
massa lhe impõem que renunciem a sua individualidade. A cultura de massa é o
modismo desacerbado, e não a cultura tradicional que foi passada de geração a
geração. Os tipos mais comuns de cultura de massas são: o rádio, a internet, os
jornais, celular; televisão; outdoors e revistas.
O grande poder
da Cultura de massa esta justamente na manipulação do seu produto. Sua meta é
ofuscar as verdadeiras [2]
“Culturas” de um povo a fim de destacar e vender fetichismo (feitiço e
adoração) barato e vulgar. Os responsáveis em vincular a cultura de massa, montam
verdadeiros estratagemas a fim de conseguirem cada vez mais adeptos a corrente
dos alienados. Ela
reproduz em filmes, novelas, musicas e comerciais, os estilos de vida e de
consumo que segue a ordem do modelo social e produtivo, criando uma sociedade
onde o que é injusto é o que você tem e não o que pensa.
Horkheimer e Theodor
W. Adorno, no texto Dialética do Iluminismo (ou Esclarecimento), de 1947,
utilizam pela primeira vez o termo “Indústria Cultural”, para eles a
denominação substitui o termo” Cultura de Massa”. O pensador Theodor Adorno afirmou
que:
“O termo Indústria
Cultural, visa substituir a expressão ''cultura de massa'‘. A
indústria cultural ao aspirar à integração vertical de seus consumidores, não
apenas adapta seus produtos ao consumo das massas, como também determina o
próprio consumo, interessada nos homens apenas enquanto consumidores ou
empregados; a indústria cultural reduz a humanidade em seu conjunto, assim como
cada um de seus elementos às condições que representam seus interesses, aliada
a ideologia capitalista e sua cúmplice, a indústria cultural contribui
eficazmente para falsificar as relações entre os homens, bem como dos homens
com a natureza. (Adorno, 1947)
“Para
Adorno, a Indústria Cultural transforma o ser humano em marionete, um objeto,
portanto: “O consumidor não é soberano, como a indústria cultural queria fazer
crer; não é o seu sujeito, mas o seu objeto” (Adorno, 1967)”, o
verbo “ser” foi substituído pelo “ter”. A industrial cultural determina
o consumo, o que deve e o que não deve ser usado, através de suas chamadas
insistentes de propaganda.
ANÁLISE
CONCLUSIVA
As pessoas se
sentem tentadas a agarrar-se a clichês, como acompanhar programas televisivos e
o tipo de beleza idealizado pela mídia. O que é criado pela Indústria Cultural
esta baseado em uma estratégia de manipulação, onde há a absorção de normas,
ordens, proibições e indicações, em mensagens que podem ser explícitas ou
ocultas (mensagens subliminares). O homem esta dividido entre o impulso e sua
consciência, ele se encontra a mercê do poder de uma sociedade que o manipula a
seu bel prazer. Ele perdeu o direito a seus próprios sonhos, estes, devem ser
subordinados aos sonhos de consumo de um grupo manipulador e cruel.
O cinema, o
rádio, ou seja, toda cultura de massa é idêntica, estão sob o poder do
monopólio e nem podem mais ser chamadas de arte, pois não passam de negócios. Sua
ideologia é legitimar o lixo que
propositalmente produzem. Definem-se como indústrias e geram cifras
astronômicas aos seus diretores gerais. Estes justificam seu produto, como bens
padronizados para a satisfação das necessidades iguais. O padrão apresentado é
baseado nas necessidades do consumidor, assim são aceitos sem resistência, por
parte dos consumidores. Os valores orçamentários da indústria cultural nada têm
a ver com os valores objetivos com o sentido dos produtos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ADORNO, Theodor &
HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro:
Zahar
ADORNO, Theodor. “Os
Pensadores”. São Paulo: Nova Cultural, 1991
MATOS, Olgaria, A
Escola de Frankfurt.
[1] Chama-se “mais-valia”, o valor
que o operário cria além do valor de sua força de trabalho.
[2] O folclore brasileiro serve como um exemplo-
tradições que demonstram a cultura de um povo acabam sendo relegados ao
esquecimento e transformam-se em simples projetos e não riquezas culturais do
nosso país.
[1] Chama-se “mais-valia”, o valor
que o operário cria além do valor de sua força de trabalho.
[2] O folclore brasileiro serve como um exemplo-
tradições que demonstram a cultura de um povo acabam sendo relegados ao
esquecimento e transformam-se em simples projetos e não riquezas culturais do
nosso país.
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DISCIPLINA DE ATIVIDADES
ACADEMICO-CIENTIFICO- CULTURAL Licenciatura em Filosofia
Apresentado por determinação do Centro Universitário Claretiano no ano de 2011
por Marisa Gonçalves de Almeida
direitos autorais@reservados
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